O livro Entre penas e impressos

Eu estive sem publicar aqui no blog por um motivo muito importante. Nos últimos meses, estava envolvido no processo de elaboração e lançamento do meu livro. Entre penas e impressos: A experiência política de exilados liberais na Europa e no Brasil (1826-1837) é minha nova obra, resultado dos meus estudos no mestrado. Foi lançada no mês de maio pela EDITORA FINO TRAÇO. A capa do livro é sobre o desembarque das tropas liberais no Mindelo, em Portugal, em 1832.

O tema do livro entre penas e impressos é a movimentação de exilados político do governo de d. Miguel, irmão de d. Pedro I, pela Europa. Muitos deles tiveram como destino final o Brasil. O objetivo foi investigar o exílio liberal de Portugal direcionado para as terras brasileiras, principalmente na cidade do Rio de Janeiro, tendo como fio condutor a trajetória dos exilados. Eu tive que partir de significados sobre o termo exílio.

Significado de exílio político

O termo exílio foi interpretado pelos dicionaristas Antônio de Morais e Silva e Caldas Aulete nos séculos XIX e XX, respectivamente. O primeiro autor afirma que é a “ação ou efeito de exilar-se; expulsão de alguém de sua pátria … banimento, desterro, degredo”. Caudas Aulete também interpreta o conceito como “desterro”, acrescentando ainda que se trata de uma expatriação forçada por crimes políticos”. Há muitos especialistas que sustentam seus estudos com base nesses dois autores, e comigo não foi diferente. Afinal, é dever de um historiador situar os termos em seus tempos e atualizá-los para o tempo presente. Ver mais!

Entre penas e impressos?

Essa expressão é sobre as fontes que utilizei no livro. São diários manuscritos, cartas, jornais, obras impressas, atas parlamentares brasileiras, manifestos, fontes secundárias bibliográficas. Algumas delas, recuperei na internet. Mas a maioria, recolhi em arquivos e bibliotecas no Brasil, no Rio de Janeiro, e em Portugal, no Porto e em Lisboa: Arquivo Nacional e Biblioteca Nacional do Rio (sessão de obras raras também); Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro; Arquivo Municipal do Porto; Casa do Infante; Arquivo Nacional da Torre do Tombo; Biblioteca Nacional de Lisboa.

O título também indica o recorte de tempo e espaço, que corresponde à conjuntura política da Europa, particularmente a portuguesa, e o contexto americano brasileiro. Os dois lados do Atlântico possuíam momentos muitos diversos. Na Europa, a contrarrevolução como ideologia estava se fortalecendo após às ondas revolucionárias liberais e constitucionais. O objetivo de contrarrevolucionários era a tentativa de retomar o Absolutismo, sendo a experiência portuguesa bem sucedida com d. Miguel na liderança. Sobre isso, já escrevi aqui no blog.

Por outro lado, no Brasil, a conjuntura de finais do Primeiro Reinado de D. Pedro era de agitação política, aumento da oposição através da imprensa de jornais, aversão ao elemento português, disputas identitárias – a nacionalidade brasileira em construção –, crise econômica e forte violência do antilusitanismo. Esse cenário se encaminhava para a Abdicação de d. Pedro, que ao abdicar no dia 7 de abril de 1831, em favor de seu filho d. Pedro II, emigra para Portugal afim de conquista o trono português.

Sumário do Entre penas e impressos

O leitor(a) vai encontrar o prefácio, escrito pela professora Cláudia Chaves, a apresentação feita pela professora Andréa Lisly, e a introdução. Na parte introdutória, esclareci como que o livro está organizado. Apresentei as principais fontes e a estrutura dos três capítulos.

No capítulo 1 “Portugal (contra) revolucionário, século XIX (1820-1830)” discuti sobre a emergência da contrarrevolução miguelista e suas características. A partir das considerações de Giorgio Agamben, compreendi que o regime de d. Miguel, ao suspender a Constituição de 1826, outorgada e adaptada em Portugal por d. Pedro, se tratou de um estado de exceção. Porque o miguelismo não era um estado liberal e não previa as garantias e direitos civis e políticos dos cidadãos.

No capítulo 2 “O exílio liberal europeu: o contexto de uma dinâmica transnacional e transatlântica” a partir da historiografia e dos impressos e jornais, abordei sobre a existência do fenômeno do exílio provocado pelo miguelismo. A principal fonte histórica foi as Memórias Históricas do Joaquim José da Silva Maia, exilado que já fiz um texto sobre ele.

O último capítulo “Contra o regime de d. Miguel, 1828-1834: aspectos da experiência política de exilados liberais no Brasil imperial” dediquei espaço para falar sobre a trajetória e atuação políticas de alguns exilados. Para isso, precisei contextualizar o Brasil após a sua independência de Portugal e os conflitos entre o “ser português” e o “ser brasileiro”. Os exilados desembarcaram no país entre 1828 e 1829, como o são Bernardo de Sá Nogueira de Figueiredo (Sá da Bandeira). Ele nasceu em 1795 e faleceu em 1876. Ao longo de sua trajetória, se tornou militar, estadista e um importante intelectual e político para a implantação do Liberalismo em Portugal. Foi exilado do governo miguelista, e escreveu um diário sobre esse tempo. Sá da Bandeira era próximo de d. Pedro e trocava cartas com o Imperador.

Escrevi sobre a atuação de cinco exilados, sendo Silva Maia e Emílio Maia, pai e filho, figuras fundamentais. Sobre eles, também já fiz um texto aqui no blog. Então, convido o leitor e a leitora a clicar nos nomes deles para ler mais detalhes. O Silva Maia foi negociante, procurador e jornalista, e defendeu o governo de d. Pedro quando se exilou no Brasil em 1829. Seu filho, Emílio Maia, nascido em solo brasileiro em 1808, cursou Filosofia e Medicina. Fez parte do Corpos de Voluntários contra d. Miguel. Ele também foi sócio do IHGB, secretário do Real Gabinete Português de Leitura, editor de revistas, professor do Colégio d. Pedro II, entre outras atuações.

Convite para o Entre penas e impressos

É uma alegria imensa, a qual quero compartilhar com você. Por isso, convido para ler o meu recente livro. Considero uma leitura que não está condicionada ao século XIX. O tema do exílio político e das migrações é atualíssimo, e acredito que o livro desperta afinidades com o drama de muitas pessoas na condição de refugiados nos dias de hoje. Tenha uma excelente leitura!