Ivan Kandyba: preso político ucraniano e condenado ao degredo

Você já ouviu falar de Ivan Kandyba? Neste post, vou narrar parte de sua história e trajetória na Ucrânia. Sua origem familiar, sua formação, seus posicionamentos e atuações políticas. Kandyba é um dos exilados que venho trabalhando nas minhas pesquisas sobre a Imigração Ucraniana.

Créditos da imagem de Vasyl Ovsiyenko | Entrevista obtida em 7 de outubro de 1998. Redação de 18 de novembro de 2007.

Nasceu no interior de uma família camponesa ucraniana que vivia no vilarejo de Stulno, no condado de Volodarsky, perto do Rio Buh, no dia 07 de junho de 1930. Stulno possuía nessa época aproximadamente 100 famílias, entre as quais 6 eram polonesas, e as demais ucranianas. A região estava sob o domínio do Estado Polonês e, embora, a língua que se falava cotidianamente era o ucraniano, Kandyba recebeu sua escolarização na língua oficial polonesa.

Em 1937, seu tio paterno  foi condenado ao fuzilamento pelos soviéticos enquanto estudava em Kharkiv. Quatro anos depois, em 1941, seus pais enviaram-lhe para continuar seus estudos num seminário em Hrubieszów, mas devido à derrota dos alemães em Stalingrado, com medo do que poderia acontecer na região, ele retorna para casa em 1942. Ainda na juventude, Kandyba sofreu a primeira, de várias, interferência étnico-política que seria alvo: sua família foi reassentada à força na Ucrânia em 1945, na então República Socialista Soviética, cuja única mandatária e soberana era a Rússia.

Depois disso, Kandyba estudou Direito na Universidade de Lviv e atuou na área e nessa região entre os anos de 1953 a 1961. Em 1960, ele conheceu um colega de profissão que mudaria seu destino, Levko Lukyanenko, pois devido a grande amizade e afinidade de ideias, Kandyba ajudou na criação de um Sindicato de Trabalhadores e Camponeses Ucranianos, que era algo totalmente ilegal dentro da URSSEm decorrência disso, foi preso pela primeira vez em 1961, já prisioneiro contra o sistema soviético como traidor da pátria, recebendo como veredicto num julgamento clandestino que “tinha como finalidade a separação da Ucrânia do resto da União Soviética e formação da assim chamada Ucrânia Independente”, sendo libertado apenas em 1976. Vale ressaltar que a Constituição Soviética do período, no seu capítulo 17, garantia a Ucrânia o direito de sair, quando quisesse, do conjunto das Repúblicas Soviéticas para constituir um estado independente, pelo menos no papel.

No mesmo ano de sua liberdade, Kandyba foi o corresponsável pela fundação do Grupo Ucraniano de Helsinque, que lhe rendeu proibição de atuar na sua área de formação em Lviv (Direito) e de circular na rua à noite. Com isso, tentou emigrar duas vezes para os Estados Unidos, mas não obteve permissão do governo soviético.

Em 1981, foi mais uma vez preso por agitação e propaganda anti-soviética, sendo sentenciado a 10 anos de prisão e mais 5 de exílio (pode-se dizer degredo) sem saber o local que cumpriria a pena. Importante destacar que nesse último cárcere ele foi enviado para a prisão VS-389/36-1 (conhecida como Vladimir), local conhecido por abrigar os prisioneiros políticos da URSS. Foi libertado e perdoado em 1988 graças à intervenção do presidente dos EUA, Ronald Reagan; em 1990 atuou no movimento que ele mesmo criara para a independência da Ucrânia, a associação política Independência do Estado da Ucrânia; em 1993 militou a favor de uma organização que era tida como ilegal, e faleceu em 8 de novembro de 2002 em Lviv.

Referências consultadas

HANEIKO, Valdemiro. Em defesa de uma cultura. Rio de Janeiro: Cobrag, 1974.

KHARKIV HUMAN RIGHTS PROTECTION GROUP.  Disponível em: <http://museum.khpg.org/en/index.php>. Acesso em: 27 mar. 2021.